PGR pede ao STF abertura de investigação contra Ricardo Salles

Vice-procurador da República acatou notícia-crime enviada pelo ex-superintendente da PF. Ministro é acusado de dificultar fiscalização ambiental e fazer advocacia administrativa

Salles e Carla Zambelli, em viagem para “inspecionar” apreensão de madeira. Foto: Twitter/Dep Carla Zambelli.

O vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, pediu a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por crime de advocacia administrativa, obstrução de investigação ambiental e organização criminosa. 

O pedido foi feito no âmbito da notícia-crime feita pelo ex-superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Alexandre Saraiva, no dia 14 de abril, e que foi encaminhada diretamente ao Supremo. Saraiva foi exonerado do cargo no dia seguinte à denúncia. Relatora da ação no STF, a ministra Cármen Lúcia pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República, que respondeu nesta segunda-feira (31) pela abertura da investigação.

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Salles será investigado por tentar interferir na operação Handroanthus, da PF, realizada no fim do ano passado, quando foi apreendida aproximadamente 200 mil m³ de madeira em toras. É a maior apreensão de madeira realizada pela PF. Para a autoridade policial, trata-se de uma bem sucedida operação contra a exploração ilegal de madeira. Para Salles, a madeira foi retirada de forma legal e não há motivo para a madeira estar “estragando no pátio”. No começo de abril, acompanhada da presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, Carla Zambelli, e do presidente do Ibama, Eduardo Bim, Salles fez uma segunda vistoria no pátio da madeireira, tentando provar que a madeira foi extraída de forma legal. 

Na ocasião, Salles foi denunciado, junto com o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, e o senador Telmário Mota (Pros-RR), por atrapalhar ações de fiscalização ambiental. A PF pediu que os três fossem investigados por crime de advocacia administrativa, obstrução de investigação ambiental e organização criminosa. 

Após ter denunciado, o superintendente da PF saiu do cargo e Salles foi cantar vitória, mas a batalha não estava ganha. Há duas semanas, em outro inquérito que responde no STF, Salles foi alvo de operação da PF e viu 9 autoridades nomeadas por ele afastadas do Ministério do Meio Ambiente. Na quarta-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, que relata a ação, levantou o sigilo das investigações.

Por: Duda Menegassi
Fonte: O Eco