Policia Militar e BOPE agem com truculência na Terra Indígena Raposa Serra do Sol

A Polícia Militar e o Batalhão de Operações Policiais Especiais atacaram a aldeia indígena Tabatinga, da Região Serras, em Roraima, na tarde desta terça feira, 16; os ataques continuaram na madrugada do dia 17

Policiais Militares e BOPE atacam, com truculência, comunidade indígena de Tabatinga, na Região Serras, na TI Raposa Serra do Sol. Foto: comunidade Tabatinga, Região Serras, TI Raposa Serra do Sol.

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) vem a público para denunciar a ação truculenta e violenta dos batalhões da Polícia Militar e do BOPE contra a comunidade indígena de Tabatinga, na Região Serras, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Conforme relatos dos moradores, policiais militares desativaram à força, na tarde da terça-feira 16, o posto de monitoramento da comunidade que servia para prevenção de atividades ilícitas e controle da invasão garimpeira. Os policiais lançaram bombas lacrimogêneas e atiraram com armas de fogo e também com balas de borracha.

Seis indígenas foram feridos e dois deles tiveram que ser transferidos para o Hospital Geral de Roraima na capital, Boa Vista, onde a equipe médica extraiu ainda uma bala do peito de um dos feridos. Os policiais também levaram consigo o equipamento de radiofonia da comunidade com o objetivo claro de impedir que as informações fossem divulgadas de forma imediata. Depois do ataque, duas viaturas policiais seguiram para Boa Vista, e outras duas continuaram em direção à sede do município de Uiramutã, sem verificar antes o estado dos feridos.

Mais tarde, outro grupo de indígenas, da aldeia de Willimon, na mesma região de Serras, que se deslocava para prestar auxílio e apoio aos moradores de Tabatinga, foi também abordado violentamente por policiais militares, e dois indígenas tiveram que ser hospitalizados na sede do município de Uiramutã. Na manhã de quarta-feira, 17, os indígenas relataram que novas viaturas da PM e do BOPE estão dirigindo-se para o local, mantendo dessa forma o clima de tensão e de ameaças.

Comunidade de Tabatinga reunida após os ataques feitos pela Polícia Militar e BOPE. Foto: comunidade Tabatinga, Região Serras, TI Raposa Serra do Sol

Desde o dia 12 de novembro, as comunidades indígenas da região retomaram uma ação de controle e de vigilância de seu território no local estratégico onde se encontra a comunidade de Tabatinga. Em nota dirigida ao Ministério Público Federal, à FUNAI e à Polícia Federal, as lideranças indígenas afirmam que “preocupados com o aumento das invasões, principalmente de garimpeiros no entorno de nossas comunidades, tráfico de drogas, entrada e venda de bebida alcoólica, aumento da malária por causa do garimpo (…) decidimos retomar a vigilância de nossa terra indígena, na comunidade de Tabatinga”.

Em nota, as lideranças indígenas alegam que retomaram estes trabalhos de proteção e monitoramento devido à omissão do poder público federal e esclarecem que o Posto de Vigilância não impede, de forma alguma, o direito de ir e vir dos moradores das comunidades indígenas próximas. O local onde ocorreu o ataque é próximo da região onde o presidente Bolsonaro pousou, recentemente, sem consentimento das comunidades, para defender publicamente atividades ilegais e criminosas como o garimpo dentro das terras indígenas.

Esta ação policial escancara a verdadeira face do atual governo estadual de Roraima e do governo federal, que agem violentamente contra a vida dos povos indígenas enquanto defendem, acobertam e premiam o crime e as atividades ilícitas como o garimpo e outras invasões. É o Estado da morte e da violência, da desordem e do crime, que coloca a força policial a serviço dos interesses de invasores, da depredação dos territórios e do atentado contra a vida dos povos indígenas.

Após ataques, moradores da comunidade de Tabatinga juntaram as balas que foram atiradas contra eles na ação policial. Foto: comunidade Tabatinga, Região Serras, TI Raposa Serra do Sol

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol é uma terra demarcada e homologada pela luta incansável dos povos indígenas durante décadas; uma terra que custou o sangue de mais de 20 lideranças indígenas e o sofrimento de muitos outros que foram ameaçados, golpeados e perseguidos. O direito finalmente prevaleceu, a terra foi demarcada e as comunidades indígenas organizam sua vida com liberdade e paz, com autonomia. O novo contexto político, que o Brasil vive desde 2018, incentivou o retorno da invasão garimpeira e a ação impune de forças policiais do estado.

Exigimos e esperamos que as autoridades competentes apurem os fatos e encontrem e punam os responsáveis do ataque, aqueles que o executaram e aqueles que deram a ordem. A responsabilidade política sabemos onde reside; ela está diretamente no Palácio do Planalto e no Palácio do Governo do estado de Roraima. Chamamos toda a sociedade civil, meios de comunicação, organizações sociais, universidades, instituições religiosas e todas as pessoas em geral a somar esforços para superar esta escalada de violência e de agressão a direitos fundamentais e para não aceitar um Estado embrutecido, violento e repressor.

Chega de violência, chega de garimpo, chega de mortes e de feridos!

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol é uma terra demarcada e homologada pela luta incansável dos povos indígenas durante décadas; uma terra que custou o sangue de mais de 20 lideranças indígenas e o sofrimento de muitos outros que foram ameaçados, golpeados e perseguidos. O direito finalmente prevaleceu, a terra foi demarcada e as comunidades indígenas organizam sua vida com liberdade e paz, com autonomia. O novo contexto político, que o Brasil vive desde 2018, incentivou o retorno da invasão garimpeira e a ação impune de forças policiais do estado.

Exigimos e esperamos que as autoridades competentes apurem os fatos e encontrem e punam os responsáveis do ataque, aqueles que o executaram e aqueles que deram a ordem. A responsabilidade política sabemos onde reside; ela está diretamente no Palácio do Planalto e no Palácio do Governo do estado de Roraima. Chamamos toda a sociedade civil, meios de comunicação, organizações sociais, universidades, instituições religiosas e todas as pessoas em geral a somar esforços para superar esta escalada de violência e de agressão a direitos fundamentais e para não aceitar um Estado embrutecido, violento e repressor.

Chega de violência, chega de garimpo, chega de mortes e de feridos!

Fonte: CIMI