Pressionado pelo Centrão, Salles planta uma árvore

Sinistro do Meio Ambiente cede a ameaças de Arthur Lira, mas negocia: “só não me peça para explicar à Zambelli o que é grilagem”

Foto: MMA.

O sinistro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reagiu às pressões do Centrão nesta semana e plantou uma árvore em frente ao ministério. O inacreditável evento foi presenciado apenas por seus oito assessores especiais e um lobista da Fiesp. Mas o ministro informou, por meio de sua agência de relações-públicas, que se trata de um ipê roxo.

“Ipê para homenagear o Eduardo Bim, que gosta tanto da espécie que quer o mundo inteiro a tenha em casa. E roxo em deferência ao senador Fernando Collor, grande aliado do nosso presidente”, afirmou Salles ao jornalista Alexandre Garcia.

Desde a exoneração do chancelelé Ernesto Araújo, os partidos do Centrão têm crescido o olho para cima do Ministério do Meio Ambiente, interessados na verba alta e, principalmente, no Instituto Chico Mendes. “Eles gerenciam 10% do país! Imagine essa quantidade de imóveis no Marketplace do Facebook!”, salivou a interlocutores o deputado Choronel Crisóstomo, de Rondônia.

Salles, porém, disse em off a Augusto Nunes que não largaria o osso, de olho em 15 dias de férias custeados pelo erário na Escócia no final do ano. “Eu sempre disse que conferência do clima só servia pra funcionário público passear no exterior, jantar no Ritz e ficar em hotel caro. Minha experiência em Madri provou que eu estava certo. Adorei, quero mais”, afirmou o ministro. “Quem sabe este ano, lá na Escócia, até sobre uma vacina da Pfizer pra gente.” Em articulação preventiva com o senador Márcio Bitter, relator do Orçamento, tratou de esvaziar a pasta, deixando-a com a menor quantidade de recursos em 21 anos. “Vai que alguém assume isso aqui e resolve trabalhar”, comentou na Jovem Pan.

Mas o presidente da Câmara, Arthur Lira, subiu o tom com Jair Bolsonaro. “O Parlamento tem remédios amargos, alguns deles fatais”, declarou. Segundo um furo do Jornal do SBT, Lira teria dito a Bolsonaro na lata que a situação do ministro era insustentável. “Ou ele se demite ou vamos abrir um processo na Mesa para obrigá-lo a explicar o que é grilagem para a Carla Zambelli.” Bolsonaro, que não poderia viver sem seu filho 06 na Esplanada, negociou com Lira uma comutação da pena do ministro. “Ô, Lira, não dá pra aliviar nisso daí? Fala pra ele usar máscara, plantar árvore, talkei?”

Salles, que tinha trauma de árvores desde que tropeçara numa paxiúba em Maresias na adolescência, ficou sem saída. “Por favor, não me peçam para explicar nada à Zambelli!”, suplicou. Enfim conformou-se. “Vão-se os anéis, ficam os dedos. Brasil acima de tudo, uísque single malt acima de todos.” Trajando botinas Ferragano recomendadas por Aldo Rebelo e um colete verde da Hugo Boss com os dizeres “Greenpixe” nas costas, o ministro marchou bravamente até o gramado com sua mudinha em riste. Obrigou os Pms paulistas do gabinete a cavarem a cova (para a árvore) e, contrariando todos os seus princípios, deitou-a no solo, fazendo um sinal de OK em seguida. “Haja ozonioterapia para aliviar esse estresse depois, meu”, cochichou ao coronel Olivaldi.

Ordenou que o tronco fosse pintado com cal por militares da Operação Verde Brasil 2 e que uma cerquinha de metal fosse instalada ao seu redor, com uma placa: “Escolas Wizard conserva esta árvore”. Maquiavélico, em seguida ligou para o presidente do Centro das Indústrias do Pará: “Mano, tem um ipê dando sopa”.

À tarde, o ministro foi prestigiar um monólogo de Paulo Guedes contra os lockdowns. Depois de botar a culpa pelo desastre econômico no Parlamento, nos governadores, no desalinho entre Júpiter e Saturno e na cepa B.1.7 do coronavírus, o Posto Ipiranga ameaçou: “Se o pessoal não voltar a trabalhar vamos ter de queimar todas as nossas reservas”!

Salles levantou as sobrancelhas. “Queimar reserva? Quero!”

Este texto é falso da primeira à última linha, cumprindo a vetusta tradição de Primeiro de Abril do OC.

Fonte: Observatório do Clima

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