Professor e Físico Luiz Pinguelli Rosa morre aos 80 anos no Rio de Janeiro

Ele estava internado no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.

Morreu nesta quinta-feira (3), aos 80 anos, o professor e físico Luiz Pinguelli Rosa. Ele estava internado no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro. Pinguelli foi um importante pesquisador e professor que defendeu o diálogo, a educação e medidas para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Foi presidente da Eletrobrás durante o primeiro governo Lula, entre 2003 e 2004, e posteriormente secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC). Foi ainda membro do Conselho de Pugwash, entidade fundada por Albert Einstein e Bertrand Russell, a qual ganhou o Nobel da Paz em 1995.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde Pinguelli se graduou em física, decretou luto de três dias. “A Reitoria da UFRJ lamenta profundamente a partida de Pinguelli, defensor nato da universidade brasileira e da difusão da ciência e da tecnologia. Seu compromisso com uma universidade de qualidade que transpira pesquisa deixará uma lacuna entre nós e um aprendizado permanente. Transmitimos força aos familiares, aos amigos e à comunidade acadêmica neste momento de consternação”.

Ele também era mestre em engenharia nuclear pela Coppe e doutor em física pela PUC-Rio.

O jornalista e ex-diretor da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, atuou próximo ao professor e comentou: “Conheci o Pinguelli em 1988, por meio da atriz Joana Fomm, quando apoiamos as vítimas da contaminação nuclear em Goiânia. Nesses 34 anos, tive o privilégio de tê-lo como mestre, parceiro, adversário, referência, chefe… e sempre como amigo. Quero lembrar de três coisas, entre as muitas pelas quais merece ser lembrado: foi quem permitiu à esquerda brasileira enxergar e entender a prioridade da mudança climática, assim como a necessidade de mudar em função disso, numa época em que as lideranças da esquerda estavam longe disso e foi de enorme honestidade intelectual quando, após titubear (como quase todos na época) sobre a incorporação do tema do desmatamento na agenda das mudanças climáticas, não hesitou depois em priorizar o tema. Sempre preferiu a vida acadêmica ao Poder, mesmo quando teve a oportunidade de exercê-lo.”.

Como pesquisador e professor, defendeu e atuou em diversas instituições ao redor do mundo. A Fundação Perseu Abramo divulgou uma nota lamentando a perda do “grande brasileiro Luiz Pinguelli Rosa”. Em nota, a instituição afirmou que “Pinguelli foi durante anos conselheiro da FPA e um dos principais estudiosos da questão energética no Brasil. Defensor da ciência e de uma sociedade mais justa e igualitária, deixa um vácuo na luta em defesa da soberania nacional. Nesse momento de dor a Fundação Perseu Abramo se junta nessa corrente de solidariedade aos familiares, amigos e admiradores”.

O professor participou ativamente de debates sobre o setor elétrico, planejamento energético e mudanças climáticas. Foi premiado como personalidade do ano pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

Fonte: Amazônia.org.br