Quebradeiras de Coco Babaçu se reúnem em defesa da biodiversidade

Seminário reúne cerca de 50 mulheres, representantes dos estados do Maranhão e Tocantins

Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão se destacam na produção de óleo orgânico, sabão e sabonetes – Mariana Castro

Filhas da palmeira, as Quebradeiras de Coco Babaçu desempenham papel fundamental na preservação dos babaçuais, do livre acesso ao fruto e em defesa do meio ambiente.

Representantes dos estados do Maranhão e do Tocantins se reúnem nesta quinta-feira (11) e sexta-feira (12) na Comunidade São Manoel, município de Lago do Junco, no Maranhão, para a realização do Seminário “Não derrube essa palmeira: Territórios, Quebradeiras de Coco Babaçu e TICCAs”.

A região está localizada entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, palco de intensos conflitos fundiários em razão da expansão do agronegócio, mas também marcada pela resistência e luta das Quebradeiras, que garantiram a consolidação de uma lei popularmente conhecida como “Babaçu Livre”, que proíbe a derrubada de palmeiras de babaçu nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará, Goiás e Mato Grosso, e cria regras para a exploração da espécie.

Coordenadora da Rede Cerrado, a quebradeira Maria do Socorro Teixeira, que também está à frente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) explica a importância do encontro e da defesa do território para a manutenção da vida. 

“Somente com o território livre é que se tem vida livre. Só as atividades executadas dentro dos nossos territórios, com a nossa permanência na terra é que a gente tem vida livre. O seminário vem trazendo  uma grande importância no reconhecimento da luta das Quebradeiras de Coco, mas também dos demais povos e comunidades tradicionais”, explica Socorro.   

O encontro pretende discutir a consolidação das políticas de preservação territorial e ambiental na região, o potencial econômico e sustentável dos produtos das quebradeiras, além da possibilidade de elas receberem o registro internacional TICCA (Territórios e Áreas Conservadas por Comunidades Indígenas e Locais), conceito que reconhece os direitos de povos e comunidades tradicionais e seus territórios.


Reunião sobre TICCA no Quilombo Santana (MA), um dos pontos em que se destaca o papel das Quebradeiras / Mariana Castro

Reconhecimento de nível global, para ser considerada TICCA a população precisa ter uma profunda e estreita conexão com seu território, com os processos de gestão e governança, além de apresentar resultados positivos na conservação da natureza, assim como de bem-estar de seu povo.

No Brasil, até o momento, somente o Território Kalunga recebeu esse registro. Quilombolas do norte de Goiás, assim como as Quebradeiras de Coco Babaçu os Kalungas também praticam extrativismo e buscam alternativas sustentáveis para o desenvolvimento do território.

Os representantes Damião Kalunga e Natália Rosa Kalunga estarão no seminário para troca de vivências e saberes com as Quebradeiras, explicando a importância e os benefícios garantidos pelo reconhecimento.

O seminário compõe as ações do projeto “Consórcio Babaçu Livre”, que tem como objetivo reunir organizações que atuam na cadeia de babaçu para a criação do Consórcio, que terá o potencial de desenvolver e multiplicar a capacidade de uso sustentável dos babaçuais, oferecendo formação técnica em boas práticas de manejo em áreas conservadas dos estados do Tocantins e do Maranhão, além de facilitar a produção, comercialização e gestão dos produtos.

Participam do encontro representantes de diversas entidades como a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues (AMTR), a Associação de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (AMTQC) e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), além da Central do Cerrado, Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (COPPALJ) e Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA), que executam o projeto na região, além de representantes das entidades financiadoras, que são o WWF-Brasil, do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF) e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

Por: Mariana Castro
Fonte: Brasil de Fato