Ribeirinhos de Marabá sofrem com a enchente

Os ribeirinhos marabaenses já se conformaram com a ideia de que – em maior ou menor escala – todos os anos as águas dos rios Tocantins e Itacaiúnas (que cercam a cidade) avançam sobre suas casas na temporada chuvosa do ano. Sem condições de adquirir uma casa em outra área da cidade e também sem o interesse de abandonar o lugar onde cresceram e com o qual construíram uma identidade, essas famílias enfrentam as cheias como podem. Mas os problemas não acabam quando deixam as áreas alagadas.

Este ano, os três abrigos disponibilizados pela gestão municipal são verdadeiros antros insalubres. “Isso aqui é desumano. Só jogaram a gente aqui e não temos apoio de nada. Nossos

maiores problemas são os banheiros e a água que molha tudo. Toda vez que chove, a água entra pelo telhado e pelo chão, deixando tudo ensopado. Eles usaram telhas quebradas para cobrir e não deram nem um plástico para impedir os vazamentos”, denuncia Celso Costa, 34 anos, que está alojado no abrigo da Folha 16 (Nova Marabá) desde o dia 30 de janeiro, com a esposa e o filho.

Em todos os abrigos, as pessoas disseram ao DIÁRIO que não recebem água tratada. É o que diz Antonio Rodrigues, 29 anos, também no abrigo da Folha 16, acompanhado da esposa, sogra, filha e dois netos. “A água trazida pelo carro-pipa vem direto do rio e é escura de tanta sujeira. Pedimos água para beber no ginásio municipal aqui do lado, mas nem sempre eles deixam a gente pegar”.

Maria de Lima, 33 anos, ficou uma semana no abrigo da Folha 16 e não suportou tantas deficiências. Ela, o esposo e a filha mudaram ontem para uma casa alugada com dinheiro emprestado. “Não dá para ficar aqui. A água é escassa e suja, os banheiros são imundos e os barracos molham o pouco que temos”,

desabafa.

Há 34 anos enfrentando a cheia em Marabá, Cleide Alves Costa, 55 anos, indigna-se com a situação no abrigo. “Estava tudo sujo quando chegamos aqui. Nós que tivemos que limpar e até terminar de fechar as paredes do barraco. Saí da água e vim pra lama”, diz, exaltada.

No alojamento montado na antiga feirinha coberta “Álvaro de Barros” (na entrada da Marabá Pioneira), a situação é mais crítica. Além dos problemas enfrentados nos outros abrigos, a velha estrutura está literalmente caindo aos pedaços e o mau cheiro é notado mesmo sem entrar no local.

Abrigada na feirinha por cerca de um mês, a dona de casa Neide Ferreira, 52 anos, conta que a presença da prefeitura foi só para fazer o cadastro que ainda vai destinar as cestas básicas; por meio do carro-pipa, que leva água uma vez por dia, e do carro que limpa os banheiros químicos. “Até hoje não recebemos uma cesta básica, os banheiros químicos só são limpos a cada dois dias, nunca recebemos uma visita da Secretaria de Saúde para ver nossa situação aqui e para conseguir água pra beber temos que andar mais de 600 metros até o Hospital Materno Infantil”.

SAÚDE EM RISCO

O infectologista Alex Freitas enumera algumas doenças que podem acometer as famílias expostas ao ambiente insalubre dos abrigos, entre eles, gripes, resfriado, pneumonia e até tuberculose, por conta da aglomeração.

Quanto às precárias condições de higiene, a doença mais comum é a leptospirose, causada nesse caso pela presença de ratos e lama. Os abrigados também estão sujeitos a enfermidades veiculadas pela água, como a Hepatite A e as diarréicas (cólera, gastroenterocolite e parasitose intestinal, entre outras).

Procurada pelo DIÁRIO, a Prefeitura de Marabá informou que a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura (Seasp) está concluindo o cadastramento das famílias nos abrigos e que a distribuição de cestas básicas deve acontecer breve. A Defesa Civil de Marabá garantiu que visitaria os abrigos ainda na tarde de ontem para verificar a necessidade de distribuição de plásticos para evitar a entrada de água da chuva nos barracos.

Fonte: Diário do Pará

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