Série de vídeos acompanha arqueólogos e retrata a presença indígena ocupando e transformando a Amazônia

Povoada há cerca de seis mil anos, floresta amazônica preservou vestígios dos povos antigos em Rondônia. Produção do Sesc TV acompanhou o trabalho de pesquisadores da USP e nativos no local

Disponível no Canal Cultural do Sesc na internet e na TV, a série Amazônia, Arqueologia da Floresta  mostra um território vivo e repleto de artefatos arqueológicos que ajudam a compreender a longa ocupação humana na Amazônia. Os vídeos exploram a relação de transformação do local a partir da vivência e sobrevivência dos indígenas Tupari no sítio arqueológico Monte Castelo, em Rondônia.

A série documental produzida pelo Sesc TV acompanhou os trabalhos de escavação de um grupo de pesquisadores da USP e de diferentes universidades do Brasil e do exterior, em parceria com os moradores da aldeia Palhau, da etnia Tupari. Os arqueólogos encontraram indícios de como viviam os povos da Amazônia há 6 mil anos. A hipótese do grupo é de que a Amazônia não é uma floresta natural, mas um patrimônio biocultural criado pela intervenção indígena na paisagem.

Entre camadas de sambaquis, foram descobertos restos de fauna, sementes de plantas, cerâmicas e ossos humanos preservados. O trabalho de escavação e o registro em vídeo foram conduzidos pelo arqueólogo e professor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, Eduardo Góes Neves.

“A arqueologia conta histórias que foram apagadas”, afirma Neves no vídeo de estreia da série. Conhecido como arqueólogo da Amazônia, o pesquisador integra o Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do MAE e coordena o Projeto Amazônia Central, onde vários sítios grandes foram escavados pela primeira vez. Ao Jornal da USP, Góes Neves conta que o sítio é ocupado pelo menos desde os últimos 6 mil anos “e tem um longo registro da presença indígena na região”.

Além dos episódios que compõem a série, o arqueólogo revela que há mais imagens filmadas em outras partes de Rondônia envolvendo pesquisas de paleobotânica em fósseis da região. “A captação de imagens continua e nós teremos mais episódios, mais para a frente”, diz.

A série Amazônia, Arqueologia da Floresta acompanha as pesquisas realizadas no sítio arqueológico Monte Castelo, em Rondônia. Conduzida pelo arqueólogo Eduardo Góes Neves, a série mostra que a presença humana ajudou a moldar a floresta e que, ao contrário do que até então se imaginava, a Amazônia sempre foi ocupada e transformada pelos povos que a habitam.

Com quatro episódios, a série mostra que a presença humana ajudou a moldar a floresta e apresenta sinais de que a Amazônia sempre foi ocupada e transformada pelos povos que a habitam. A direção é da documentarista Tatiana Toffoli.

Entre as universidades presentes na escavação estão a USP, Universidade Federal de Rondônia, Universidade Federal do Oeste do Pará e professores do Reino Unido e da Alemanha.

Episódios:

A Terra dos Povos

Monte Castelo é um sambaqui fluvial, uma ilha artificial, que foi construído e ocupado a partir de pelo menos 6 mil anos. Localizado na bacia do Rio Guaporé, em Rondônia, esse sítio foi escavado pela primeira vez pelo arqueólogo Eurico Miller na década de 80. Trinta anos mais tarde, foi relocalizado por uma equipe de arqueólogos e as escavações foram retomadas, dando início a uma nova etapa de descobertas surpreendentes.

Conchas e Ossos

Há 4 mil anos o clima da região mudou e novas camadas de conchas e terra foram adicionadas ao sítio. A equipe encontra muitos vestígios de um cemitério datado dessa época. Adornos e uma galhada de veado são encontrados junto aos ossos humanos. Os arqueólogos acompanham os Tupari até a antiga aldeia do Laranjal, local onde viviam e do qual tiveram que sair por causa da criação da Reserva Biológica do Guaporé, em 1983.

O Tabaco e a Cerveja

Quando os Tupari abriram a aldeia Palhau, que está localizada sobre um sítio arqueológico, a mandioca dos antigos, usada para fazer chicha, brotou no solo. Muitas espécies aparecem espontaneamente na roça. O milho, por exemplo, cultivado há 6 mil anos, até hoje é plantado pelos Tupari numa demonstração de que o passado e o presente estão profundamente conectados na região. Trinta anos mais tarde, foi relocalizado por uma equipe de arqueólogos e as escavações foram retomadas, dando início a uma nova etapa de descobertas surpreendentes.

Cemitério Bacabal

Neste episódio, novos sepultamentos são encontrados. A composição química das conchas que formam o sambaqui Monte Castelo ajudou a preservação de ossos e sementes. Através desses vestígios, é possível saber o que os antigos comiam e bebiam. Ossos e dentes humanos, amostras de solo, cerâmicas e objetos de pedra nos ajudam a contar a história de ocupação dessa região. Os arqueólogos acompanham os Tupari até a antiga aldeia do Laranjal, local onde viviam e do qual tiveram que sair por causa da criação da Reserva Biológica do Guaporé, em 1983.

Por Tabita Said
Fonte: Racismo Ambiental