Sesc Pantanal desmente em nota discurso de fazendeiro ouvido por Salles

Avanço das queimadas no Pantanal, onde está a RPPN do Sesc. Foto: Jeferson Prado

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi ao Pantanal na última semana para sobrevoar as áreas queimadas acompanhado do governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM-MT). Na visita, Salles encontrou com fazendeiros da região, descontentes com o “modelo de preservação” e que responsabilizavam a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Sesc Pantanal pelas queimadas que assolam o bioma desde julho. “Esse modelo que o Sesc implantou (…) de RPPN, não poder criar gado, é a maior coisa para queimar o Pantanal, essa matéria orgânica. Se não botar o boi, esse Pantanal não vai viver mais”, alegou um dos homens diante de Salles em vídeo que circulou pelas redes. Nesta segunda (24), o Sesc se pronunciou por meio de nota para desmentir as informações. “São centenas de focos de calor, nenhum deles iniciado dentro da RPPN, tampouco saído dela, como relatado equivocadamente nos últimos dias”, afirma a nota.

“As informações são inverídicas e não apontam soluções para a tragédia que assola o Pantanal, já que o fogo não atingiu somente a reserva, mas comunidades pantaneiras, indígenas e fazendas. Do total já queimado em Barão de Melgaço [MT] e Poconé [MT], apenas 12% da área queimada corresponde à RPPN”, continua a nota, que pode ser lida na íntegra neste link.

RPPN Sesc Pantanal está localizada no município Barão de Melgaço, ao sul do estado do Mato Grosso, e compreende uma área de 108 mil hectares do bioma. As queimadas que se acentuaram ao longo do mês de julho no Pantanal atingiram a reserva apenas no início de agosto, conforme esclarece a nota, a partir de uma área vizinha.

“O fogo que entrou na RPPN Sesc Pantanal começou em área vizinha na divisa norte, no dia 2 de agosto. Desde o início, toda a estrutura de combate aos incêndios da reserva foi acionada para evitar a entrada desse foco na RPPN, mas o fogo avançou em uma extensa área da unidade de conservação em direção à divisa sul da reserva. Ao chegar na divisa sul, o fogo encontrou com outro incêndio que ocorria na Fazenda São Francisco do Perigara, desde o dia 30 de julho”, explica a nota. “Todo o trabalho do Sesc Pantanal, neste momento, está concentrado em controlar o fogo, distante cerca de 100 km do ponto em que tiveram início os incêndios na Transpantaneira, em 16 de julho”, acrescenta. E lembra que segundo dados do Ibama/Prevfogo, 98% dos incêndios têm origem em ações humanas.

O texto rebate ainda a acusação de que a RPPN teria expulsado o homem pantaneiro e o gado do Pantanal com esse modelo de preservação. “O Sesc Pantanal esclarece que, enquanto propriedade privada, optou que a RPPN seguisse o perfil primitivo do Pantanal, que não tem gado, porém, não questiona a atuação pecuária da região. Ao contrário, reconhece a importância econômica da prática. A instituição, portanto, não impõe seu modelo de gestão ambiental nem considera pertinente que outro modelo seja imposto para a RPPN, visto que se trata de áreas privadas. A reserva, as fazendas que praticam a pecuária, as comunidades tradicionais pantaneiras e indígenas são capazes de ocupar este território, que é patrimônio natural da humanidade, e conviver harmonicamente nele, com discussões que estejam amparadas no respeito, bom senso e dados verídicos emitidos pelos órgãos competentes”.

A RPPN Sesc Pantanal foi criada em 1997 e é a maior da categoria no país, com 108 mil hectares de extensão. A nota afirma que a reserva realiza trabalhos de prevenção contra os incêndios florestais, “que têm sempre origem externa, acontece durante todo o ano, por meio de aceiros, monitoramento e campanhas de conscientização com a população ribeirinha, feitas com a mais preparada brigada contra incêndios da região. Todo esse trabalho de prevenção, porém, não foi capaz de superar a seca acentuada, baixa umidade do ar e ventos fortes que colaboram para o pior cenário dos últimos 22 anos no Pantanal brasileiro”.

De acordo com o Sesc, as práticas de manejo do fogo “de todos os que vivem no e do Pantanal vão precisar ser revistas, considerando a dinâmica do bioma”. E acrescenta que serão feitos estudos sobre os impactos do fogo para fauna e flora, para melhor planejar as medidas preventivas. Leia a nota na íntegra.

Por: Duda Menegassi
Fonte: O Eco

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