Sistema de alerta de fogo em tempo quase-real passa a monitorar a Amazônia

Plataforma ALARMES, do LASA/UFRJ, que já monitorava Pantanal e Cerrado, fornece alertas diários para apoiar ações de controle e tomada de decisões dos órgãos ambientais

A velocidade com que as chamas podem consumir áreas naturais faz do monitoramento de focos de calor uma estratégia importante no combate aos incêndios. Lançada em 2021 com foco no Pantanal e Cerrado, a plataforma ALARMES fornece alertas em tempo quase-real de área queimada. Nesta sexta-feira (24), a ferramenta, desenvolvida pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA/UFRJ), inicia sua cobertura de todo território amazônico.

O monitoramento da Amazônia pelo ALARMES é apoiado pelo Greenpeace. Anteriormente, o monitoramento do bioma era realizado apenas no estado de Roraima.

Os alertas, emitidos diariamente, reforçam o apoio às ações de prevenção, combate e fiscalização pelos órgãos ambientais, assim como na tomada de decisões.

A plataforma pode ser acessada através deste link, mediante login do usuário. Na ferramenta, o usuário pode escolher a região de interesse. Apenas na Amazônia, são 498 municípios, 285 Terras Indígenas e 298 unidades de conservação.

Incêndio florestal em 2020 /Foto: Iberê Périssé/Projeto Solos

Ao todo, o ALARMES monitora o fogo em 362 Terras Indígenas, 637 unidades de conservação e 17 bacias hidrográficas.

“O mapeamento da Amazônia ainda se encontra na versão beta, ou seja, é um protótipo. Mapear, com êxito, áreas queimadas via satélite neste bioma é um desafio, pois há fatores ambientais que dificultam a observação da superfície”, destaca Julia Rodrigues, pesquisadora do LASA/UFRJ.

Os dados do sistema são gerados com resolução espacial de 500 metros e utilizam imagens e focos de calor captadas por um sensor, combinadas com técnicas de inteligência artificial que permitem o aprendizado da máquina. Além dos alertas em tempo quase-real, o sistema também fornece um histórico com os dados anuais oficiais.

A plataforma lançou também a FogoTeca, uma funcionalidade para compartilhamento de fotos tiradas nos locais das queimadas, durante e após a passagem das chamas, para registrar impactos, como cicatrizes pós-fogo, danos à fauna, flora e infraestrutura, e até resultados de queimas prescritas. 

 Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Estes registros alimentarão uma rede colaborativa de dados para validação do sistema e compreensão do regime de fogo de cada região.

“A FogoTeca veio proporcionar a integração de informações de diversas instituições, que podem compartilhar seus registros e relatos no contexto do fogo na vegetação em um único lugar!”, comemora Renata Libonati, coordenadora do ALARMES.

Por Duda Menegassi
Fonte: O Eco