Sônia Guajajara será candidata a deputada federal por São Paulo

Uma das principais líderes indígenas do país, ativista vai concorrer pelo Psol a uma vaga na Câmara dos Deputados

A militante pelos direitos indígenas Sônia Guajajara vai se candidatar a deputada federal pelo estado de São Paulo nas eleições deste ano. A informação foi anunciada pelo seu companheiro de partido, Guilherme Boulos (Psol), nesta terça-feira (22), e confirmada pelo Brasil de Fato.

O anúncio foi feito por Boulos em entrevista ao DCM. Como vice na chapa coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Sônia Guajajara foi primeira indígena a disputar as eleições para a Presidência da República, em 2018.

Nesta semana, o líder do MTST também anunciou sua pré-candidatura a deputado federal em São Paulo. Segundo Boulos, ele e Sônia Guajajara farão campanha “juntos” no estado de São Paulo.

“A Sônia está radicada em São Paulo e, sim, será candidata em São Paulo. Quero fazer campanha junto com ela e ajudar a elegê-la. A voz da Sônia no Congresso Nacional com a bancada indígena botando o dedo na cara da Bancada do Veneno, da Bancada dos Agrotóxicos, vai ser fundamental”, afirmou Boulos.

Quem é Sônia Guajajara?

Além de atuar no país, Sônia Guajajara tem voz no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Ativista há mais de vinte anos, a indígena representa os povos tradicionais nas Conferências Mundiais do Clima (COP) desde 2009, onde já apresentou diversas denúncias de violações aos direitos desses grupos.

No Brasil, ela integra o Conselho da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil, inciativa ligada à ONU e faz parte da Coordenação Executiva da Articulação dos povos indígenas do Brasil (Apib).

Sônia é original do povo Guajajara/Tentehar e nasceu na Terra Indígena de Araribóia (MA) em 1974. Aos 15 anos, ela deixou a região pela primeira vez para estudar em Minas Gerais, convidada pela Funai. Hoje, é formada em letras e em enfermagem, pós-graduada em educação especial e mestra em Cultura e Sociedade.

Em 2001, participou do primeiro evento nacional indígena, a pós-conferência da Marcha Indígena, para discutir o Estatuto dos Povos Indígenas em Luziânia, no estado de Goiás. Em 2012, coordenou a organização do Acampamento Terra Livre na Cúpula dos Povos. No ano seguinte estava à frente da Semana dos Povos Indígenas e de ocupações no plenário da Câmara e no Palácio do Planalto.

Premiada diversas vezes, em 2019 recebeu da Organização Movimento Humanos Direitos o Prêmio João Canuto pelos Direitos Humanos da Amazônia e da Liberdade. No mesmo ano, foi agraciada com o prêmio Packard concedido pela Comissão Mundial de áreas protegidas da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN).

Por: Paulo Motoryn e Nara Lacerda
Fonte: Brasil de Fato