Terremoto atinge Guiana e tem reflexos em Boa Vista e Manaus

Terremoto atinge Guiana e tem reflexos em Boa Vista e Manaus
Tremor de magnitude 5,7 foi sentido a mais de 800 quilômetros do epicentro. “O prédio está balançando mesmo, vamos descer”, diz morador do Edifício Miltano, na capital amazonense (Foto Iris Brasil/Amazônia Real).

Um terremoto de magnitude 5,7 em Lethen, no sul da Guiana, foi sentido em Boa Vista, a 113 quilômetros do epicentro no país vizinho, e até em Manaus, que fica a mais de 800 quilômetros da capital roraimense. Enfrentando a maior crise sanitária de sua história por conta da pandemia do novo coronavírus, moradores da capital amazonense vivenciaram na tarde deste domingo (31) momentos de tensão e medo com abalos nas estruturas de edifícios residenciais na cidade por volta das 15h10 (horário local).

De acordo com o Centro Sismológico Europeu do Mediterrâneo (European Mediterranean Seismological Centre, EMSC), o terremoto na Guiana ocorreu às 15h05 (horário de Brasília) a uma profundidade de 9,7 quilômetros. Pelas imagens de satélites do EMSC, o terremoto aconteceu em uma região sem residências

Imagem do Google da região de Lethen, epicentro do terremoto no sul da Guiana

Em Boa Vista, o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima disse que recebeu diversos moradores relatando tremores nas residências, mas não houve danos de feridos ou danos econômicos, segundo o órgão. “Estava no meu apartamento, sentado na mesa, quando senti a cadeira tremer. Minhas amigas, que estavam sentadas no sofá, algumas também sentiram e outras não”, disse o comerciante Mário Fernando Ferreira da Silva, 53 anos, morador da capital roraimense, dizendo que em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, houve também relatos sobre o tremor. 

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou à reportagem que começou a receber os primeiros chamados relacionados ao tremor pelo disque-emergência 193. Edifícios como Dom Pedro Tiago de Melo, Ponta Negra Smille (todos na zona-oeste da cidade), Topázio Parque Dez, Parque Dez Edifício Napole e Adrianópolis Prédio Tereza (todos na zona centro-sul) e Dom Pedro Living Confort, Smille Cidade Nova (na zona norte) acionaram os bombeiros.

“Eu estava lavando louça quando senti o tremor. Achei que era uma crise de labirintite. Mas aí o meu marido disse: ‘o prédio está balançando mesmo, vamos descer’. Pegamos o cachorro e descemos pelas escadas, afinal, neste tipo de ocasião, a gente aprende que não é para usar o elevador”, conta a psicóloga Léa Santos, 48 anos, à Amazônia Real. Ela é moradora do condomínio Milano, no bairro Parque Dez de Novembro, na zona centro-sul. “Ficamos lá embaixo esperando passar. Aqui é um prédio novo, de apenas seis anos. O tremor foi sentido do sétimo andar para cima. Moradores dos primeiros andares contam que não sentiram nada. Foi um grande susto.”

A professora da rede pública Cintia Saboia, 38 anos, moradora do Condomínio Jardim de Flores, no bairro Flores, também no centro-sul de Manaus, se assustou com o abalo.  “Estava fazendo meu filho dormir quando a cama começou a tremer. Parecia que havia alguém empurrando a cama. Depois, olhei o grupo (de Whatsapp) e percebi que muitas pessoas tinham sentido o prédio tremer”, relata.

Mapa com o local do epicentro do terremoto na Guiana

No bairro Parque Dez, moradores do Edifício Nápoles disseram sentir abalos no prédio por volta das 15h10 (16h10 em Brasília). A produtora cultural Iris Brasil, 23 anos, relatou que estava sentada na cadeira, mexendo no celular, quando sentiu o prédio se movimentar. “Minha sensação foi como se eu estivesse no meio de um banzeiro (a onda de rio). Quando pisei no chão, senti que o prédio estava balançando. Avisei minha mãe e imediatamente pegamos o nosso gatinho e corremos para descer”, lembrou.

Em situações emergenciais como esse tremor, é difícil compreender o que está acontecendo. Só há tempo para tentar se proteger. “No corredor encontrei a síndica pedindo para todos descermos e que iria ligar para a Defesa Civil”, disse Iris. “O pânico veio quando vi todos os moradores descendo pela escada. Era criança, gente com animais de estimação e gente com malas. Foi desesperador, parecia que o prédio ia cair”, contou a produtora cultural.

Morador do edifício Portal do Rio Negro, no bairro Santo Antônio, zona oeste de Manaus, o advogado Marcos Dias, 37 anos, também sentiu o prédio balançar. “Foi um pouco mais depois das 15h. O tremor não foi muito forte. Eu estava parado com o volume da televisão desligado, e deitado na cama, aí senti a cama balançando. Parou, depois balançou de novo, aí fui à sacada para ver se tinha reação de outras pessoas. Para muitos foi meio imperceptível”, conta.

De acordo com o Cobom, a equipe do Auto Bomba Tanque (ABT-29), foi destacada para realizar as vistorias. Muitos moradores de Manaus se sentiram inseguros de retornarem para seus prédios e estão indo para outros lugares. Outros, retornaram às residências a partir das 18h (19 em Brasília).

Na noite deste domingo, a Sociedade Brasileira de Geologia (SBG) emitiu uma nota sobre o terremoto na Guiana, e seu reflexo nos estados brasileiros. De acordo com a entidade, a região onde foi localizado o epicentro é geologicamente conhecida como “Escudo das Guianas”, e é constituída de rochas paleoproterozoicas – de aproximadamente 2 bilhões de anos.
A SBG diz que no momento ainda é cedo para emitir um parecer sobre possíveis causas do terremoto, e que tudo deverá ser avaliado “por profissionais das Geociências e com rigor científico”.
A Sociedade Brasileira de Geologia recomendou que a Defesa Civil da região afetada “seja acionada para que possa passar as informações básicas sobre os procedimentos a serem adotados pela população, bem como para avaliar a intensidade, catalogar os danos e verificar os eventuais feridos, acionando as equipes médicas disponíveis. Além disso, para garantir que a comunidade será munida com protocolos internacionais que possam ser seguidos em caso de novos sismos”, diz a nota.

Manaus já enfrentou outros abalos sísmicos no passado

Não é a primeira vez que moradores de Manaus sentem reflexos de abalos sísmicos. Em 2015, um terremoto que atingiu o Peru foi sentido nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. O tremor de magnitude 7,6 ocorreu às 20h50 (horário de Brasília) e assustou moradores de prédios em Manaus. Também não houve registros de feridos ou danos econômicos, segundo o Corpo de Bombeiros.

De acordo com os dados do Serviço Geológico Americano (USGS), o epicentro do tremor ocorreu em uma área de floresta, a 169 quilômetros da cidade peruana de Ibéria. O local fica próximo à fronteira com o Brasil, a 150 quilômetro a oeste de Assis Brasil, no Acre. Veja aqui o mapa completo do local do terremoto.

Na ocasião, o Corpo de Bombeiros do Amazonas recebeu mais de 100 chamadas de moradores que residem, principalmente, em edifícios. Eles relataram nos apartamentos as portas, lustres, estantes, camas, entre outros objetos, balançaram. Cerca de 22 chamadas partiram de condomínios com mais de cinco andares de altura. Contudo, conforme o tenente Janderson Lopes, nenhum dano material foi detectado durante vistoria realizada até a publicação desta reportagem. “O comum é o susto”, disse o tenente-bombeiro à reportagem.

Leia mais sobre o histórico de tremores na Amazônia aqui.

O que é a Escala Richter

A intensidade dos terremotos foi classificada como um sistema de medição elaborado pelos sismólogos Charles Richter (americano) e Beno Gutenberg (alemão) do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). 

Os abalos sísmicos acima de 6 graus podem ser considerados graves. Confira a relação comparativa entre a intensidade dos terremotos e os seus efeitos:

Magnitude menor que 2: tremores captados apenas por sismógrafos;

Magnitude entre 2 e 4: impacto semelhante à passagem de um veículo grande e pesado;

Magnitude entre 4 e 6: quebra vidros, provoca rachaduras nas paredes e desloca móveis;

Magnitude entre 6 e 7: danos em edifícios e destruição de construções frágeis;

Magnitude entre 7 e 8: danos graves em edifícios e grandes rachaduras no solo;

Magnitude entre 8 e 9: destruição de pontes, viadutos e quase todas as construções;

Magnitude maior que 9: destruição total com ondulações visíveis.

(Fonte Mundo e Educação)

Por: Leanderson Lima
Fonte: Amazônia Real

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