Vítimas das enchentes começam a deixar abrigos públicos

Famílias que estavam abrigadas em locais públicos começaram a ser levadas para suas casas nesta terça-feira (Foto: Sérgio vale/Secom)

“A casa da gente é o melhor lugar, por mais humilde”. Foi com sorriso no rosto e semblante de alívio que a dona de casa Maria José Bezerra, moradora do bairro Cidade Nova, voltou para casa depois de ficar 13 dias no Parque de Exposição. Maria foi uma das primeiras a ser retirada do abrigo pela Defesa Civil nesta terça-feira, 6, quando foi iniciada a Operação De volta para casa.

A decisão de iniciar a transferências das vítimas da cheia do Rio Acre dos abrigos públicos para as residências foi anunciada na manhã de hoje pelo coronel Gilvan Vasconcelos, represente da Defesa Civil Municipal. Também estiveram presentes na coletiva o coronel Oliveira, da Defesa Civil Estadual, a secretária de Assistência Social, Estefânia Pontes, e o procurador Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto.

“Depois de muitas reuniões analisando as condições meteorológicas e a situação das famílias chegamos a conclusão pela retirada das pessoas dos abrigos. A medida que as águas vão baixando cresce a pressão das famílias para voltar para casa, mas é necessário analisar o custo benefício da ação. Agora temos uma margem de segurança”, destacou o coronel Gilvan.

Foram estruturados seis abrigos públicos em Rio Branco para atender a demanda de desabrigados. Dados da Defesa Civil revelam que mais de 144 mil pessoas foram atingidas na capital do Estado pela enchente. O trabalho de retirada das pessoas será realizado simultaneamente nos abrigos. Para isso foram disponibilizados 112 veículos. 50 equipes fazem a mudança.

Somente nesta terça-feira 800 famílias irão retornar para casa. A limpeza dos bairros antecedeu a volta das pessoas. O trabalho de limpeza das ruas de Rio Branco foi iniciado quando o Rio Acre começou a apresentar sinais de vazante e algumas ruas foram secando, permitindo o trabalho das equipes. As equipes são compostas por 12 homens e um encarregado, máquinas como pá-carregadeira, retro, caçambas, tratores e caminhões carga-seca ajudam na volta das famílias para suas casas.

Apoio para o recomeço

Durante o período em que estiveram nos abrigos, as pessoas foram orientadas em relação aos cuidados que deveriam ter ao voltarem para casa. E agora é hora de colocar os ensinamentos em prática. Para ajudar na limpeza dos imóveis são distribuídos kits. As secretarias estadual e municipal de Saúde realizaram nos abrigos públicos a distribuição de materiais informativos – cartazes e panfletos – com orientações de como limpar as casas, as caixas d’águas e os poços para evitar as doenças decorrentes das águas contaminadas.

As famílias recebem ainda duas cestas básicas, e as que têm crianças menores de quatro anos ganham kits infantis, contendo fraldas, leite em pó e massa para mingau. A previsão é de que até a sexta-feira, 16, as 8.239 pessoas que estão alojadas nos abrigos públicos retornem para casa. “O governo, a prefeitura e as instituições parceiras não mediram esforços para garantir total assistência às vítimas da enchente. E na volta para casa não será diferente, estamos oferecendo condições para que estas pessoas possam reiniciar suas atividades”, enfatizou a secretária de Assistência Social, Estefânia Pontes.

O Ministério Público Estadual montou uma estrutura no Parque de Exposição para atender as famílias atingidas pela cheia do Rio Acre. Entre as ações do MPE esta o trabalho de orientação de mulheres vítimas de violência doméstica, rondas e abordagens, encaminhamentos aos órgãos competentes e orientações às questões ligadas à infância e juventude. “Agora, quando as famílias começam a voltar para casa, vamos continuar trabalhando em parceria com o governo do Estado e prefeitura para que o retorno seja sem tumulto, com tranquilidade e segurança”, reforçou o procurador Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto.

Margem de segurança

A medição realizada na manhã desta terça-feira revela que o Rio Acre está com 12,92 metros. Segundo o coronel Oliveira, da Defesa Civil Estadual, existe a possibilidade de chuva para os próximos dias, e, portanto o nível do rio pode aumentar.

“Estamos acompanhando a evolução dos rios, e chegamos a conclusão que é seguro a retiradas das famílias dos abrigos. Os números estão dentro do padrão de segurança”. O coronel diz ainda que a vazante do Rio Purus é importante para que o Rio Acre se mantenha estável. “Mesmo assim, temos a estimativa de que o Rio Acre possa chegar a 14,20 metros”, concluiu. A cota de transbordamento do Rio Acre é de 14 metros.

Fonte: Agência de Notícias do Acre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *