Um dia depois do Ato pela Terra, Bolsonaro libera uso de 25 novos agrotóxicos no Brasil

Bolsonaro não está preocupado com a saúde da população. Apenas, com lucros do agronegócio (Bárbara Cruz/Greenpeace)

Nesta quinta-feira (10), o governo Bolsonaro aprovou o registro de 25 novos produtos agrotóxicos. Desde que assumiu o governo, já foram liberados 1654. A nova liberação de registros publicada no Diário Oficial da União ocorre um dia depois do Ato Pela Terra, que reuniu milhares de pessoas no Congresso Nacional.

À ocasião, o cantor e compositor Caetano Veloso, acompanhada de outras dezenas de artistas se reuniram com ministros do STF e parlamentares. A Rodrigo Pacheco foi entregue um documento pedindo que haja bloqueio do PL do Veneno, o PL 6.299, que depois de aprovado em regime de urgência pela Câmara dos Deputados, tramita no Senado Federal.

Bolsonaro parece mesmo comprometido em ser um recordista da liberação desses produtos que trazem tantos males à saúde da população. Para se ter uma ideia, em 2005 surgiram apenas cerca de 90 produtos no mercado. O número subiu para 150 em 2015 e deu um salto para 450 em 2018, no governo Michel Temer. Com Bolsonaro à frente da presidência em 2019 foram 474; em 2020, 493 e em 2021, 562.

E 2022 começou muito mal para os brasileiros. Só nos primeiros 19 dias de fevereiro de 2022, o Governo aprovou a comercialização de 51 novos produtos agrotóxicos, com uma regularidade expressiva: nos dias 3, 7 e 18.

Encontramos esses dados no perfil Robotox no Twitter. O robô tuíta sempre que o Governo Federal libera um registro de novo agrotóxico no mercado brasileiro. O projeto é da Agência Pública e da Repórter Brasil que monitora os registros no Diário Oficial da União.

Imagine só como ficará a saúde do brasileiro se o PL que abrevia o rito de aprovação de novos agrotóxicos e encontra brechas para liberar produtos que a atual legislação proíbe, passar no Senado!

A Mídia NINJA acaba de lançar um especial sobre o assunto. Fatos que você não queria saber, mas deveria:

Acesse aqui

Mineração em terra indígena

Ao tempo em que os manifestantes do Ato Pela Terra estavam mobilizados nesta quarta-feira (9) em Brasília, o presidente da Câmara Arthur Lira, um dos principais responsáveis pela aprovação do PL do Veneno, dava andamento à aprovação de outro projeto de morte, do pacote da destruição.

A casa legislativa aprovou a tramitação em regime de urgência do PL 192/20, que autoriza atividades de mineração em terras indígenas.

Aprovar a urgência significa que o PL não passa por tramitação, com discussões em comissões.

O governo Bolsonaro tem como objetivo acelerar a votação em tempo recorde e usa a Guerra na Ucrânia como desculpa, por conta da dependência brasileira do potássio. Após o resultado final, a oposição conseguiu uma negociação para que a votação do mérito do texto seja feita apenas em abril. Um grupo de trabalho será instalado para analisar o tema e deve durar apenas 30 dias.

Fonte: Mídia Ninja